Tendência
 Descolado da crise
Setor de HPC passou ao largo da turbulência econômica mundial, cresceu mais do que o esperado e projeta cenário otimista para 2010 no país POR MARCELO DE VALÉCIO
O mercado de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos é um dos mais prósperos do mundo. Mesmo com a crise que abalou todos os continentes em 2008, manteve desempenho superior ao da maioria dos segmentos da economia. No Brasil, os resultados foram ainda mais expressivos. Em 2008, o País liderou a taxa de crescimento de participação global do setor, com 27,5%, segundo dados do Euromonitor. O faturamento cresceu, em média, 10,6% na última década, com picos de mais de 15%, alçando o País ao terceiro posto mundial em consumo, à frente do “tigrão” China, com 8,6% de participação e faturamento na casa dos US$ 28,8 bilhões.
O volume de vendas seguiu em ascensão ao longo de 2009 e a previsão de fechamento do ano foi revista para cima, passando de 5% para 11%, tendo em vista o bom desempenho do primeiro semestre, que ficou 18% superior em relação a igual período de 2008. “A elevação dos seis primeiros meses do ano foi muito além da expectativa. Considerando que tradicionalmente o segundo semestre é melhor em vendas, é possível que o crescimento real até supere os 11%”, avalia João Carlos Basílio, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec).
“O VOLUME DE VENDAS SEGUIU EM ASCENSÃO AO LONGO DE 2009 E A PREVISÃO DE FECHAMENTO DO ANO FOI REVISTA PARA CIMA, PASSANDO DE 5% PARA 11%, TENDO EM VISTA O BOM DESEMPENHO DO PRIMEIRO SEMESTRE”
De acordo com a empresa de pesquisa Latin Panel, o consumo de bens não duráveis no Brasil não sentiu os efeitos da crise econômica no primeiro semestre de 2009. O volume de vendas das cestas de alimentos, bebidas, higiene pessoal e produtos de limpeza registrou crescimento de 14% nos primeiros seis meses de 2009 em relação ao mesmo período de 2008. O valor gasto pelas famílias com itens do gênero também cresceu de forma significativa e alcançou a marca de 19% de expansão no mesmo período. Ainda segundo o estudo, o brasileiro aumentou o número de idas ao ponto de venda para 15 vezes ao mês no primeiro semestre de 2009, contra 13 vezes em igual período de 2008.“O varejo passou bem pela turbulência econômica, muitos consumidores compraram mais produtos de consumo imediato, como alimentos e cosméticos, e reduziram a aquisição de produtos duráveis, que sofreu um impacto mais forte”, revela Nuno Fouto, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e coordenador de pesquisas do Programa de Administração de Varejo (Provar), da Fundação Instituto de Administração (FIA). “
Mas essa fase dos duráveis foi superada, até rápido demais, uma vez que há alguns segmentos com problemas de abastecimento por causa do freio da indústria.” Já pesquisa da TNS World Panel, realizada em 11 mercados da Europa, Ásia e América Latina, coloca o Brasil como terceiro colocado em expansão de volume de compras de não duráveis, atrás apenas da China e da Polônia. Não por acaso, o termômetro do otimismo do brasileiro se manteve em patamares elevados em 2009, projetando um cenário ainda melhor para 2010. Segundo o Latin Panel, 77% dos brasileiros estão confiantes nos resultados da economia para o ano, o maior índice entre os países da América Latina.
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