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Opinião

Saída da recessão técnica é só o começo


O anúncio de que o csaiu da chamada "recessão técnica" é uma notícia boa; mas não é tudo. Ainda há um caminho a trilhar, antes do final do túnel, e talvez o percurso mais difícil de se fazer seja justamente o final


Roberto Mateus Ordine
Vice-Presidente da Anabel

É verdade que a economia mundial vem se recompondo, e alguns países, como o Brasil, foram muito menos afetados do que outros, porque já vínhamos fazendo a lição de casa. Não se pode esquecer, no entanto, que ainda nos encontramos em uma "classe atrasada" na escola do progresso mundial.

No ano passado, a China deveria ter crescido 10%, mas cresceu 8%; a Índia deveria crescer 8%, cresceu quase 6% e o crescimento do Brasil deveria ser de 5%, mas teve taxa de crescimento zero. Por isso, vemos o quanto ainda temos de fazer para nos manter entre os grandes. Parte do setor industrial ainda encontra obstáculos para crescer o necessário.

Felizmente este não é o caso do setor de higiene e beleza, que está bem e continua em ascensão, com a chegada das classes D e E ao mercado de consumo. A parcela de indústrias que ainda sentem dificuldade de retomar seu crescimento são as de base, ligadas à infraestrutura do País e que dependem dos investimentos do Estado.

Os investimentos governamentais, no entanto, ainda estão abaixo do mínimo necessário para o desenvolvimento sustentado. Faltam estradas, portos e outros meios para escoarmos nossa produção. Teme-se que o nosso crescimento continue limitado por conta do "custo Brasil". A burocracia é grande, a carga tributária é elevada e a falta de reformas torna o Estado pesado e difícil de acompanhar a velocidade do mundo.

Apesar dessas dificuldades, a economia brasileira continua em alta. Nossa experiência com outras crises foi fundamental para que não fôssemos muito afetados pela crise atual, e as nossas reservas cambiais deram sustentação para que a economia não naufragasse. Isto, porém, não foi suficiente para que o nosso crescimento não sofresse estagnação.

Daí, a razão de nosso atraso em relação à China e à Índia. Dos países do BRIC só a Rússia foi pior que o Brasil. Cabe, agora, à sociedade organizada cobrar ação do governo para que o nosso crescimento volte a ocorrer e, com isso, atenda à nossa demanda interna.

São milhões de jovens que chegam ao mercado de trabalho todos os anos e é por causa deles que o crescimento precisa acontecer. No campo da higiene e beleza estamos fazendo a nossa parte, mas não o suficiente para suprir os demais setores, que sentem os efeitos desta crise e da falta de investimentos do governo.

 

 
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Edição 25 - Julho/Agosto 2010
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