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Em boa forma


Mercado de higiene pessoal e beleza sente pouco os reflexos da crise econômica mundial. Para esse setor, crescimento deve continuar


Por Claudia Manzzano

Foto Shuttterstock

O crescimento do mercado de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos tem sido bastante saliente nos últimos anos. Apesar de ainda não terem fechado as contas de 2008, indústrias e entidades do setor confirmam a boa perspectiva. O ano foi marcado por fatores que elevaram as vendas, como a ascensão social de parte da população das classes D para a classe C, e, por outro lado, por medidas governamentais que frearam um incremento maior, como a substituição tributária.

Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), João Carlos Basílio, 2008 deve crescer por volta de 9% em relação ao ano passado. Mas ressalta que a previsão para os próximos 12 anos é de crescimento acima de 10%. Já para o presidente da Associação Nacional do Comércio de Artigos de Higiene Pessoal e Beleza (Anabel), Roberto Ordine, o ano foi atípico, com a entrada das classes D e E no mercado, o que até então era inviável. Segundo ele, a própria situação econômica promoveu a novidade e, apesar da crise, o setor deve se manter em expansão. A média de crescimento mês a mês, medido pela entidade, varia de 5% a 7%. "A crise afetou classes diferenciadas, mas classes D e E não sentiram. Cerca de 10% da renda deles são gastos na compra de produtos de higiene pessoal e beleza", acredita. Para impulsionar o novo nicho, Ordine conta que empresas de médio porte estão se preparando.

A professora do Provar, Flavia Ghisi, também ressalta o salto das classes com menor poder aquisitivo, mas lembra também que a melhora do poder de consumo em toda sociedade ainda surtiu efeito nos resultados. Além disso, fatos já conhecidos, como o envelhecimento da população, a mudança de hábitos da sociedade, o aumento do número de mulheres no mercado do trabalho e a adolescência cada vez mais precoce ajudaram nos resultados das vendas.

Para Basílio, alguns fatores, como a substituição tributária (principalmente em São Paulo), atrapalharam o crescimento do setor. "As empresas não sabiam conviver com a substituição tributária. Ela foi implantada sem tempo para que a cadeia de abastecimento pudesse se entender e implantar", afirma. Para ele, a polêmica medida comprometeu o mês de fevereiro, gerou reflexos em março e promoveu desempenho abaixo das expectativas para o ano.

Histórico
Com crescimento real médio (descontada a inflação) de 10,9% nos últimos 12 anos, o setor apresentou resultados bem mais volumosos do que o da indústria nacional em geral, que refletiu o baixo desempenho do País nos últimos anos - 2,8% do PIB. Os preços praticados por esse mercado nos últimos cinco anos tiveram um incremento inferior à inflação e ao índice de preços ao consumidor.

Feliz ano novo?
Se 2008 poderia ter resultados melhores, se não fosse os reflexos da substituição tributária, o que esperar de 2009 e diante da crise econômica mundial? Ordine lembra que, antes da crise, as perspectivas para os próximos anos eram excepcionais, mas que, agora, há necessidade de se fazer considerações. "Preocupação não atinge muito nossa categoria. O endividamento pode repercutir no próximo ano, a maior preocupação é com o crédito. Esperamos que a crise aponte um caminho mais claro para que países que não foram muito atingidos, como o Brasil, tomem rumo. O ano de 2009 ainda terá crescimento, mas não alcançará 2008", prevê Ordine.

Basílio acentua que o setor não está tendo dificuldades, porém, acrescenta que "é difícil fazer previsão porque precisamos ter mais claramente como vai se portar os outros fatores, como governo, taxa de câmbio e inflação. Existem muitas dúvidas". Flávia também acredita na continuidade do crescimento, porém, sem assegurar sua dimensão. Ela afirma que as inovações e os produtos sofisticados irão garantir as vendas, principalmente com as segmentações como de artigos para o público masculino, por exemplo. Flavia também destaca o lado positivo da crise. Ela acredita que a recessão internacional ajuda a exportação do Brasil. "Produtos de HPC são bons e têm preços acessíveis. Esse mercado ainda não é tão grande, mas está ganhando espaço, deve crescer em 2009".

 
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Edição 25 - Julho/Agosto 2010
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