A pele da criança é mais fina e suscetível do que a de um adulto, portanto usar produtos específicos para ela é essencial para o seu bem-estar
De acordo com a presidente do Departamento Científico de Dermatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), doutora Kerstin Abagge, o pH da pele é ácido, em torno de 5,5, e este “manto ácido” é responsável pelo equilíbrio da flora normal da pele e da sua proteção. “De modo que, por exemplo, a utilização de um sabonete de pH alcalino poderia levar a uma alteração do pH da pele e deixá-la mais suscetível a infecções e irritações. Assim, dizer que se está utilizando um sabonete ‘neutro’ nem sempre quer dizer que este produto seja o ideal para a pele da criança, uma vez que o pH neutro para a química é de 7 e o pH fisiológico da pele é de 5,5”, orienta. Ainda de acordo com a médica, os produtos infantis devem passar por testes determinados pelos órgãos reguladores como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com relação à segurança, potencial de irritação e alergenicidade. “Estes produtos devem obedecer à legislação própria de cada país. Por isso, conforme a diretiva da Anvisa (lei 6.360/76 e decreto 79.094/77), os produtos podem ser divididos em: a) produtos de higiene pessoal, b) cosmético, c) perfume, d) produtos de uso infantil (grau de risco 1 - risco mínimo e grau 2 - risco potencial)”, explica.
A gerente de categorias da Kimberly-Clark, Ornella Guzzo, explica que os produtos infantis passam por estudos clínicos para atestar sua segurança e eficácia. “Eles utilizam em sua formulação matérias-primas mais adequadas para a pele sensível das crianças, com potencial menor de causar desconfortos, e o varejista precisa saber as diferenças e conhecer o que cada produto oferece, para poder auxiliar o shopper”, orienta.
A diretora de desenvolvimento e marke-ting da Biotropic Cosmética, Waleska Zanelato Lopes Leal, afirma que os produtos específicos para crianças são desenvolvidos de forma a manter as características da pele ou cabelos infantis.
Por isso, na escolha de um produto para uma criança, o vendedor deve orientar o shopper se o item está de acordo com a idade dela. Além disso, quanto mais precoce a exposição a diferentes produtos não indicados à idade, maior a chance de sensibilização”, alerta Kerstin Abagge. A médica ainda faz um alerta importante sobre o que deve e não deve ser usado na pele das crianças. “Substâncias como o timerosal e o PABA, por exemplo, muito utilizadas em produtos infantis há alguns anos, foram retiradas do mercado devido ao seu potencial alergênico. Deve-se ter bom-senso, acima de tudo, pois não há como prever se a criança é ou não alérgica a determinado produto e, muitas vezes, apenas após várias reexposições à substancia alergênica é que as reações irão ocorrer, diz.
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